domingo, 18 de agosto de 2013

Conto 1 - Olhos felinos

1º Parte

Sempre morei no mesmo bairro, na mesma rua, perto da mesma avenida. A casa dos meus pais sempre esteve em reforma e ainda está.
Aquele ano estava orgulhosa de mim mesma por ser uma aluna exemplar, uma filha que se esforçava apara agradar sempre e por ter conseguido entrar na escola técnica do município. Nunca pensei muito no amor e em como encontrá-lo. Tive uns namoradinhos, coisa de cartas coisas infantis, mas me apaixonar estava fora de cogitação.
Ultima semana antes da s aulas começarem e lá estava eu na fila para pagar a matricula. Sim eu deixei para ultima hora e fritava com o sol acima de minha cabeça. Fritou tanto que julguei ser uma miragem. A primeira vez que o vi, algumas pessoas atras de mim. Olhei tentando disfarçar. Ele tinha olhos puxados e um sorriso meio bobo. Fiquei durante os próximos minutos com estomago gelado em doce agonia. Nunca acreditei em amor a primeira vista, mas em paixão já provei varias vezes.
A fila andou rapidamente, e ao contrario dos outros que finalmente sorriam eu xingava por dentro pois não queria perde-lo de vista, o que aconteceria em breve.

-Próximo. Próximo. - Gritava a atendente
-Moça é com você - A menina atras de mim em alertou impaciente. Sai tropeçando quase derrubando os papeis.
-Desculpa. - Digo sem graça entregando os meus documentos e o dinheiro da matricula.
-Pronto aqui está seu troco - Pego o troco e jogo dentro da bolsa.

Saio dali olhando para trás, esperando que ele me siga, pergunte meu nome. Qualquer coisa, mas nada acontece. Vou ao ponto de ônibus, embarco no que vai para perto de casa, estou muito irritada, como ele ousa não seguir o roteiro que passa na minha cabeça?

Mal passo pela catraca, e vejo que não tem nenhum assento. Vou para o fundo do ônibus perto da porta. Vejo alguém pedindo licença e se posicionando perto da porta. É ele! Posso sentir um calor vindo dele, penso em esbarrar, mas não sou tão abusada. Ele é um daquele meninos mais velhos. Deve estar no ultimo ano. Simplesmente o ônibus segue e o vejo descer no ponto da estação Silveira. Ele deve morar na região.
Coloco um sorriso no rosto, vou chegar em casa, me trocar e caminhar um pouco, pode ser que o encontre sem querer. Sim o plano é perfeito. Está decidido. Decido chamar minha amiga para ir comigo. Dois pontos depois eu desço. Chego em casa correndo.
-Oi mãe. Os documentos estão aqui. Vou na Regina!
Subo para o quarto coloco calça leg, tenis e camiseta. E saio em disparada pelo portão antes que minha mãe tenha chance de me impedir.

- Regina - Chamo no portão da casa dela - Regina, acorda!
- Estou indo. - Uma menina com cabelos tingidos de vermelho e com cara de sono sai porta a fora em direção ao portão. - Entra.
Entro dando pulinhos, estou tão empolgada que não percebo o péssimo humor dela por ter tido o sono interrompido.
-Para de pular! Me diz o que aconteceu!
-Eu achei o amor da minha vida.
-Como assim?
-É coisa do destino, estava lá na fila e ele surgiu do nada e quando nos olhamos nos ligamos de algum modo.
-Você pirou de vez menina.
-Você tem razão, mas sinto que preciso conhece-lo.
-E como planeja fazer isso?
-Caminhando!
-Como assim?
-Eu sei qual o ponto dele e pensei se você minha melhor amiga não gostaria de andar um pouco - Digo forçando um sorriso.
-Vai ter que esperar eu tomar banho.
-Ok.

Quase uma hora depois saímos á procura dos olhos negros que me encantaram. Uma hora depois estávamos exaustas e de volta a casa dela. parece que meu plano não era tão bom. Acho que não a convencerei a ir amanhã.




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